Não devia gostar desta imagem…

arquivado em: Artigo Comments (0) criado por: Pedro Oliveira a 22 de Abril de 2010

Recentemente, incluí FFFFOUND no meu google reader como fonte de inspiração diária.  Por regra geral, costumo inscrever-me em feeds de blogs que ainda não tenho a certeza se gosto ou não. A decisão de os manter passa pela atenção dada naturalmente. Se marcar – repetidamente - um blog como lido sem passar os olhos pelo conteúdo, a conclusão lógica é: não interessa.  Este processo não é propriamente preto no branco. No meio de tanta informação é natural que a atenção seja selectiva e só alguns artigos sejam lidos. Isso não implica que não esteja interessado noutros sites menos lidos.

Com o FFFFOUND apercebi-me que o mesmo acontece com as imagens. O tempo que dedico a uma imagem, varia grandemente. É verdade que existem razões lógicas para que tal aconteça como a complexidade gráfica (desenhos pormenorizados ou com muitos objectos), efeitos ópticos, o gosto por determinados estilos, a temática… Mas nenhumas destas justificava o facto de ter guardado esta imagem:


(http://ffffound.com/image/edad948b504c2cf4af0a7b9c4b858325fc16cc46)

Eis uma imagem, que não é complexa, que não apresenta qualquer tipo de efeito óptico, cujo estilo e temática não aprecio e, no entanto, gosto pelo simples facto de me ter ensinado mais qualquer coisa.

E o que é que me ensinou? Que existem várias formas de comunicar uma intenção:

  • Que, neste caso, o desenho recorre à escala homem/cavalo/castelo para transmitir de forma lógica e racional o conceito de dimensão…
  • …e recorre à luz para comunicar o mesmo, de forma emocional – o sol baixo da manhã ilumina apenas os pontos mais altos do castelo/cavalo, remetendo o homem para a escuridão do “ainda noite”.
  • Pelo homem transportar uma tocha, orientando o nosso olhar para a base da ilustração, reforçando a percepção de dimensão.

As regras da forma, arranjo e luz (ou cor) de uma maneira ou outra são encontradas na maioria das artes gráfica (desde o cartoon à pintura). O que me levou a gostar desta ilustração foi a ausência de estilo, dando relevância às relações dos objectos e da luz. E como essas relações podem comunicar a um nível emocional sem recorrer a “artifícios” como a imitação minuciosa da realidade, a replicação da emoção humana (sorriso, choro, etc), a utilização de temas pesados (guerras actuais, fome, catástrofes…), etc.

Gosto desta imagem porque, pela sua simplicidade, comunica a um nível emocional que muitas imagens mais gráficas não atingem.

  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • StumbleUpon
  • LinkedIn

Sem Comentários »

Ainda sem comentários.

RSS feed para comentários a este post. TrackBack URL

Deixe o seu comentário